Homilia de Jesus

sábado, 22 de maio de 2010

Aqui ficam os meus destaques da excelente entrevista de Jorge Jesus ao jornal A Bola:

...o Wenger contrata jogadores para crescerem com ele, mas isso tem os seus dissabores, os seus riscos. Ele valoriza os jogadores, mas não valoriza os títulos da equipa, não tem nenhum há vários anos. O Mourinho contrata jogadores feitos para conquistar títulos. Eu pretendo estar nos dois lados.

É uma grande verdade. Wenger e Mourinho são dois grandes treinadores, com filosofias completamente distintas, mas o único que recebe louros é o português. Contudo, Mourinho tem o grave defeito de ignorar por completo a formação dos clubes. Aliás, essa é a grande falha que lhe aponto, para ele os jovens não entram na equação. Ainda bem que Jesus pretende ser um misto dos dois.

O Cardozo era um daqueles jogadores que quando eu ainda não estava no Benfica via jogar e dizia para o Raul [José] que se trabalhasse connosco valia mais de 20 golos por época. E foi aquilo que fizemos.

O Quique também delirava com o Cardozo. No banco...

Se olharem para o Cardozo à procura de um jogador de nota artística, como eu costumo dizer, então não gostam dele. Mas se olharem para o Cardozo como um goleador, como um jogador que poucas equipas na Europa têm jogadores com aquelas características, que são goleadores, que é aquilo que conta... então. A beleza do Cardozo é fazer golos. A beleza do Cardozo não é o Aimar, que tira dois do caminho e assiste o avançado...

Lá está a treta do "tosco". Por mim podem chamar-lhe tosco à vontade, mas o que é certo é que o Benfica não tinha um Bola de Prata há dezoito anos. Como em quase tudo na vida, os portugueses só lhe vão dar o devido valor quando ele já não estiver cá.

Esse é que foi o erro fatal dos nossos rivais: distraíram-se com essas situações menores e nunca perceberam que eles não tinham os argumentos do Benfica.

Aqui discordo do nosso mister. Acho que foi precisamente por eles terem percebido que não tinham argumentos para o Benfica, que tentaram distrair a opinião pública com o famoso túnel.

...os dois jogos mais importantes da época, que fizeram com que fossemos campeões, foram o da primeira jornada com o Marítimo e o da Taça de Portugal, que perdemos com o V. Guimarães. Foi aí que fomos campeões, quando os sócios do Benfica depois de um empate e de uma derrota aplaudiram a equipa no fim e os jogadores sentiram que quando errassem poderiam ficar serenos porque os adeptos estariam sempre do lado deles. Foi isso que fez com que a equipa nunca mais parasse.

Jesus não se cansa de mencionar o papel que nós, adeptos, tivemos na conquista deste título. E certamente que não é para ser simpático que o faz, ele sabe bem que em certas alturas nós, adeptos, demos o empurrãozinho que faltava.

Eu tenho uma forma de me expressar peculiar, sou muito emotivo. Sou um apaixonado pelo treino e tenho uma forma de comunicar alta... não digo a um jogador "olha por favor não te importas de passar ali para aquele lado?" Essa não é a minha linguagem. Utilizo a linguagem do futebol.

Por momentos imaginei mesmo Jesus a dizer: olha por favor não te importas de passar ali para aquele lado? Ou, por exemplo: fazes o obséquio de desarmar aquele indivíduo que se aproxima perigosamente do nosso último reduto?

Não sou um catedrático de português, mas sou um catedrático do treino.

Acho que esta foi para ti, ó Machado...

...era um jogo em que o título ainda não estava decidido, achei que precisava de outros elementos e por isso... Não participou na festa, mas ele é homenzinho, é responsável pelos seus actos, conhece-me e sabe o que eu penso e sabe que quem toma determinadas acções tem de assumir a responsabilidade do que faz.

Pelo que tenho visto nos últimos dias, julgo que o Pedro Mantorras é a única pessoa no Mundo que não vai perceber o significado desta frase: ele é homenzinho, é responsável pelos seus actos, conhece-me e sabe o que eu penso e sabe que quem toma determinadas acções tem de assumir a responsabilidade do que faz.

...há coisas que nós não conhecemos quando contratamos um jogador, nomeadamente a sua estrutura mental. Ele tem tido alguma dificuldade de adaptação à pressão, à minha pressão do treino. Porque há muitos jogadores que não aguentam a minha pressão nos treinos. Porque a nossa vida é pressão, que é aquilo que acontece nos jogadores. E há alguns que abanam um pouco. O Éder teve um pouco a dificuldade de enfrentar a agressividade do Campeonato... e, verdade seja dita, também não o tenho colocado a jogar onde ele mais rende, que é como segundo avançado.

Tenho que confessar que desde o primeiro jogo que achei que Éder Luís é um flop. Um jogador de 24 anos que apresenta falhas na recepção da bola, lance após lance? Por favor! Mas claro que também tenho que confessar outra coisa: o meu entendimento de futebol é o do típico adepto de sofá (e de estádio). Portanto, vou acreditar em Jesus. Se o homem diz que é apenas um problema mental e de adaptação, só posso desejar que o Éder faça uma boa pré-época, se adapte melhor ao clube e que na próxima época demonstre o seu real valor.

Não estou a pensar em ir de férias. Vou fazer o que faço sempre, trabalhar para o Benfica, ver jogos, ver jogadores. Fico em casa, não vou a lado nenhum.

É um bocado cruel da minha parte, mas eu acho que todos os treinadores do Benfica deviam ser assim. Não há cá férias para ninguém. A próxima época é sempre a mais importante e tem que ser preparada até ao mais ínfimo pormenor.

Carreeeeega, Jesus!

4 comentários:

Trapalhadas disse...

Em termos de portugues nao e melhor mas fala bem:P
Gostei da entrevista...

Carrega benfica...

Tiago disse...

os exemplos recentes do Bergessio e do Derlei por exemplo (jogadores que falhavam imensas recepções de bola no Benfica... e que depois noutros clubes mostraram que eram bem melhores) demonstram que há jogadores que precisam de mais tempo para se adaptarem, porque a pressão no Benfica é imensa!

a diferença deste Benfica é que já pode dar algum tempo aos jogadores para darem a volta por cima, porque já não é uma máquina de triturar jogadores como até há uns anos.

quantos não criticaram o Di Maria, ou o Luisão, ou o Maxi Pereira? mas agora não se condena jogadores por um ou dois maus jogos ;)

JG disse...

Ele só precisa é de ganhar campeonatos. Depois lá mais para a frente, pensa-se num curso intensivo de português para ele frequentar.
Saudações.

Anónimo disse...

Em relação ao Eder Luís também pode ser uma questão de peso do manto sagrado...
Recordo-me de quando o marroquino Hassan esteve no Benfica, aquilo era desgraça atrás de desgraça, nem sabia dominar uma bola nem fazer um remate...e eu bem me lembro dele no Farense, que para além de goleador, era um artista da bola. Outros exemplos houve de jogadores que eram cracks e que no Benficam não deram - Keirisson foi o último exemplo.
Abraço

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