Quando Aimar fala, é para ouvir

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Não sei o que custa aos sites desportivos portugueses colocarem os links de onde vão buscar o material com que escrevem as suas notícias. Escreviam na mesma a peça e no final colocavam o link, até podia ser em letras mais pequeninas. Neste caso foi com a entrevista do Aimar à Cadena 3.

E sabe tão bem ouvir o Pablito na primeira pessoa...

Diz-se por aí que é uma espécie de plantel, Jesus




9 jogadores não utilizados ainda no campeonato + Capdevila + Jardel: 11 jogadores em 27 inscritos, onde se retira ainda o infeliz Enzo. Este é o Benfica 2011/2012 de Jesus: 15 jogadores.


A tabela em cima é do site do nosso clube, dados do campeonato. Os jogadores utilizados na Liga dos Campeões desde a fase de apuramento até agora são os mesmos que Jesus utiliza de forma recorrente e constante no campeonato.

Aquilo que alguns possam pensar ou dizer que é um plantel (visão inclusive reforçada positivamente pelo presidente há dias atrás, que se referiu ao mesmo como “muito forte”) reduz-se hoje a 15 (quinze) jogadores que realmente contam para o Mister.

Aprofundemos a análise. Vamos ver os minutos… A tabela é do futebol365 (penso que tem um erro no Jara, mas de resto parece-me certo).


Os dados são ainda mais elucidativos. 14 (catorze dos vinte e sete: 52% do plantel) jogadores do Benfica concentram 92% dos minutos jogados nas 9 primeiras jornadas.


Não há dúvidas. Os 14/15 jogadores estão em sobre-esforço. Isto acentua os erros individuais, que resultam em erros colectivos, enquadrados por decisões infelizes da equipa técnica.

Sejamos claros. O Benfica de Jesus não é constante, mas sempre foi coerente em 2 características:
  • Só um núcleo de 14-16 jogadores é que joga
  • Apesar de não sermos nos últimos anos muito fustigados por lesões, os nossos ciclos de forma são científicos - parecem bossas de camelo. Em ascensão de Agosto a Outubro, em depressão Novembro a Janeiro, ligeira ascensão Fevereiro e Março para fechar a época em depressão profunda, com a equipa a arrastar-se em Abril e Maio.
A depressão é tanto mais forte quanto menos jogadores forem opção e quantas mais forem as competições onde estamos envolvidos (ao qual acresce a presença assídua de 6/7 desses 15 nas selecções dos seus países).

Em que jogadores se nota mais? Nos jogadores aos quais o modelo de jogo exige mais: toda a linha ofensiva e extremos obrigados à constante pressão alta, os laterais obrigados à subida regular e ao trinco, obrigado a 11/12 Km por jogo.

A solução é clara, dar minutos e utilização frequente a 20 jogadores é fulcral. Para isso é necessário ter pelo menos 20 jogadores com capacidade para poderem ser recorrentemente utilizados na equipa principal. O Benfica tem mais de 20. O problema é que Jesus acha que não. E, sendo assim, neste aspecto Jesus é parte do problema e não da solução.

Vai ser um Novembro muito duro, como se viu na 4ª feira passada. E eu vou continuar com saudades de ver Carlos Martins (o meu segundo 10), Airton (o meu segundo 6) e Capdevila (o meu primeiro 3) com o manto sagrado, soluções com provas dadas que Jesus, não sabemos porquê, rejeitou para este ano.

Ps1: Faço a adenda com a tabela de utilização da LCampeões até à data. Como vêem as opções são as mesmas entre Campeonato e LC. Os mesmos 14-16 jogadores.

Ps2: Um plantel deve ser constituido na minha opinião por jogadores considerados como alternativas válidas para rotação da equipa e não composto por alternativas de recurso para serem utilizadas em caso de lesão do "núcleo duro". Como vê Jesus esta questão? Quando os 11 que sabemos serem os preferidos estão clinicamente aptos, jogam pelo menos 70 minutos de 4 em 4 dias. Quem é que acham que vai ser o único avançado que vai ser titular de início em Braga?

O relógio não pára

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Parece que o nosso Pablito faz hoje anos. Ele que me desculpe mas não consigo registar com agrado tal data. Falta cada vez menos tempo para o poder ver jogar futebol. E isso não pode nunca ser festejado.

Ponto de saturação

Não gosto de Gaitán e assumo-o sem qualquer problema. Desde a época passada que acho que a sua postura em noventa por cento dos jogos é uma falta de respeito para com os colegas que se esforçam dentro do campo e também em relação a quem contribui com dinheiro de bilhetes e quotas para lhe pagar a casa, o carro, a comida e o raio que o parta. Há muito tempo que não me lembro de ver no Benfica um jogador com tanta técnica individual e, simultaneamente, com tamanha atitude "estou-me a cagar para vocês todos, dêem-me mas é a merda da bola" (o último talvez fosse o Roger, se bem que acho que o Roger ainda conseguia ser tecnicamente melhor do que o Gaitán). Marca golos fantásticos? Marca, sim senhor. Faz assistências brilhantes? Também. E tudo isso fica na retina, é óbvio. Mas é bom não esquecer a quantidade de golos que o Benfica sofreu na época passada e nesta porque o Gaitán perdeu uma bola ao tentar fintar quatro gajos, porque o Gaitán não esticou a perninha para travar um contra-ataque, porque não lhe apeteceu vir ajudar o lateral que acabou a levar com dois adversários em cima, etc, etc, etc. É claro que todas estas não-acções não ficam na retina (o olho humano não está preparado para gravar não-acções) e é fácil atribuir as culpas de um desses lances ao Maxi, ao Emerson, ao Luisão, ao Garay, ao Jardel, ao Javi, ao Matic ou a outro qualquer. É demasiado fácil, aliás, porque ir procurar o que deu origem ao contra-ataque do adversário dá mais trabalho e não interessa muito. E assim lá vai sobrevivendo Gaitán, entre os pingos da chuva, deixando permanentemente cocó na sanita numa casa onde moram onze pessoas sem nunca ninguém se aperceber que a merda é mesmo dele.

"Mas uma equipa precisa de desequilibradores!" Pois precisa. Mas eu vejo um Pedro, um Cristiano Ronaldo, um David Silva, um Nani, um Rooney, um Ribéry e até um Messi muito mais envolvidos nos processos defensivos das suas equipas do que o Gaitán no Benfica. E aqui nem estou a falar da qualidade individual, todos eles muito melhores do que Gaitán, mas sim da mentalidade. Todos estes jogadores têm mentalidade competitiva altíssima. Uns talvez já tivessem nascido com ela, mas a outros foi-lhes incutida ao longo do tempo. O Gaitán está na segunda época no Benfica e para mim nesse aspecto consegue estar pior do que na época passada. Com mais tiques de vedeta, mais "estou-me a cagar". Mais enervante. E é inadmissível que o treinador continue a compactuar com isto. É uma tortura para mim ver o Gaitán em campo a fazer sempre, sempre, sempre, sempre o mesmo sem que ninguém o chame à atenção ou o castigue com o banco. Não consigo ver mais Gaitán, pronto. Não consigo. Rebentei ontem. Prefiro o Nolito com uma fractura exposta da tíbia dentro do campo ou o Mika adaptado a essa posição.

E é curioso que já tenha visto mais pessoas com camisolas e cartazes do Witsel, do Javi, do Luisão ou do Maxi do que do Gaitán, o suposto mega-craque da Luz. Acredito que o público sabe reconhecer quem sua até à última gota pelo clube, tal como numa empresa as pessoas sabem reconhecer quem está onde está por mérito próprio ou por cunha do chefe.

Por isso gostava imenso de poder entrar numa máquina do tempo e programá-la para daqui a três ou quatro anos só para poder levar Jesus a ver em que clube estaria Gaitán a jogar. A brilhar num colosso tipo Manchester United ou Milan, ou a arrastar-se meio esquecido (mas de bolso recheado) num longínquo campeonato turco ou ucraniano?

Caso se verificasse a primeira hipótese, era sinal de que Gaitán se esforçava e trabalhava a sério dentro do campo. Quereria isso dizer que enquanto tinha estado no Benfica andava a gozar com meio mundo (que é aquilo que eu penso), só se dignando a correr quando tinha a bolinha no pé, porque sabia que tinha sempre o lugar garantido no onze inicial. Se fosse verdadeira a segunda hipótese, então aquilo que ele tinha mostrado no Benfica era, efectivamente, aquilo que ele tinha para oferecer.

Regressando então ao presente, o que fazer com Gaitán? Sentá-lo no banco de castigo, caso ele no futuro andasse a brilhar nos principais palcos europeus (a tal primeira hipótese de que falei atrás). Despachá-lo o mais rapidamente possível, caso ele no futuro andasse a cozer no deserto turco ou a congelar na tundra ucraniana ou russa (a segunda hipótese).

Seja como seja, Gaitán não é jogador à Benfica. Pode ser uma centena de outras coisas quaisquer, todas elas espectaculares e orgásmicas, mas à Benfica não é.

Chegar a Cruyff por um atalho chamado Jaime Pacheco

Ver um jogo em que o Benfica joga com Emerson e ver um jogo em que o Benfica joga com Luís Martins é claramente diferente. Emerson defende razoavelmente mas é fraquíssimo a atacar (capacidade técnica medonha e não acerta um cruzamento); Luís Martins ataca razoavelmente bem mas é fraco a defender (dá muito espaço ao adversário, descura o espaço nas costas e ainda não sabe ler a movimentação dos centrais para criar foras-de-jogo).

A questão é que, ao passo que Emerson não vai passar daquilo que vemos todos os fins-de-semana (estou sempre à espera de ver o Pedro Granger entrar no relvado, dirigir-se ao Emerson e dizer-lhe "Você é o elo mais fraco da equipa do Benfica, saia"), Luís Martins vai com certeza corrigir as suas debilidades de posicionamento e melhorar ainda mais no aspecto técnico. Não clamo pela sua titularidade no campeonato e na Champions mas é pô-lo em campo nos jogos mais acessíveis da Taça de Portugal, em todos os jogos da Taça da Liga e, por que não, lançá-lo do banco a meio da segunda parte para o lugar de Emerson em jogos que o Benfica esteja a vencer por dois ou três golos de diferença. "Ah, mas assim queima-se uma substituição num defesa esquerdo", dizem vocês com um esgar de estupefacção. Jorge Jesus respondeu-vos ontem. Tudo porque teve medo do pequeno monte de esteróides (bom jogador, o gajo) e lhe quis mover uma marcação individual cerrada... Onde é que eu já visto? Naqueles jogos a preto e branco da RTP Memória e em jogos a cores de equipas do Jaime Pacheco (foi campeão de Portugal a jogar assim, o que nos deveria fazer corar de vergonha a todos. "Olá, sou português", "Espera lá, tu és daquele país onde o Jaime Pacheco foi treinador de uma equipa campeã?", "Sim, sou", "E não tens vergonha?", "Sim, realmente tenho"). E diz-se Jesus um seguidor da escola de Cruyff...

À terceira foi de vez e espero que seja para ficar por aqui

Beira-Mar, Olhanense, Basel. Três jogos com exibições bem abaixo dos mínimos exigíveis dadas as diferenças abissais entre os jogadores destas três simpáticas equipas e os jogadores do Benfica. Em Aveiro pensei que tinha havido um problema de atitude, na Luz contra o Olhanense voltei a pensar precisamente no mesmo. Hoje não posso pensar assim, porque é evidente que o que se tem passado não se explica (só) com uma suposta falta de atitude. O Benfica vive um problema de falta de fio de jogo (tudo parece ser feito aos repelões e quando se tira Aimar de um jogo em que ainda é preciso cabeça fria para chegar à vitória só me apetece cortar os pulsos) e, fundamentalmente, de falta de capacidade física. Tirando o guarda-redes e a defesa, a equipa entra em paragem cardíaca por volta dos 60 minutos de jogo e nem com um choque eléctrico com a potência da energia produzida na Barragem das Três Gargantas consegue acordar. Seria bom rever esta questão, pois Novembro não vai ser pêra doce.

Voltando atrás, à parte da atitude, o expoente máximo hoje até foi um jogador que nem esteve muito tempo em campo mas merecia ter levado um par de estalos no final do jogo. Há mínimos de entrega ao jogo e de respeito para com o público e restantes colegas.

O positivo de tudo isto é que estas três exibições não causaram mossa na luta pelo campeonato e mantiveram o grupo da Champions como esteve desde sempre: Manchester favorito ao primeiro lugar, Benfica favorito ao segundo e Basel favorito ao terceiro. Se bem que, uma vitória hoje aproximar-nos-ia da luta pelo primeiro lugar, sempre importante no sorteio seguinte. Mas mais uma vez, muito provavelmente iremos ter que selar o apuramento na última jornada.

BENFICA 1 - 1 Basileia

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Alguém que explique aos jogadores que o jogo tem 90 minutos no mínimo. De que vale entrar a matar se depois baixamos os braços? Tem sido assim nos últimos dois jogos.

É assim que vamos jogar a Braga e vamos receber o Sporting? Se é, prefiro nem ligar a televisão.

Uma vez mais, e para não estranharmos, há queixas da equipa de arbitragem.


Artur - sem grande trabalho. Sem hipóteses no golo.

Maxi - irreconhecível. Deu espaço nas costas a defender e conseguiu não acertar um centro a atacar. Mas, segundo o presidente, há coisas mais importantes...

Luisão - jogo normal. Grande corte nos instantes finais a evitar novo perigo para a baliza.

Garay - ajudou muito Luis Martins enquanto este esteve em campo. É um grande defesa.

Luis Martins - gostei e não entendo a substituição. Defendeu bem, apesar de ter deixado as costas muitas vezes libertas. Subiu bem e cruzou com mais perigo do que o experiente Maxi.

Matic - não é o Javi, mas vai cumprindo.

Witsel - boa primeira parte. Continuo à espera de mais remates exteriores porque chuta bem. Grande assistência perto do fim para Rodrigo.

Aimar - grande primeira parte. Ofereceu o golo a Rodrigo com poucos minutos de jogo, mas este falhou por pouco.

Bruno César- jogo apagado do brasileiro. Poucas coisas saíram bem.

Gaitan - grandes aberturas, passes a romper a defesa, mas sem o desfecho pretendido. Gosto mais dele quando joga em corrida do que quando joga parado. Pode render muito mais. Saiu estoirado.

Rodrigo - afirmou-se uma vez mais como goleador. Precisou de dois remates para marcar. E que grande golo que marcou, de primeira, ao ângulo.

Miguel Vitor - não percebi a sua entrada e acho que não trouxe nada de positivo ao jogo. Não tem a acutilância de Luis Martins a atacar.

Nolito - tentou jogadas individuais, sem sucesso.

Cardozo - entrou e pouco depois já andava em vez de correr... Enfim... Não o assobio nunca, mas haja atitude, porra!

É hoje?


Se sim, espero que os adeptos não cedam à tentação do assobio fácil aos primeiros erros (porque os vai cometer, está na idade de o fazer) nem vaticinem liminarmente "não vale uma merda" caso não faça um bom jogo.

Mas estou esperançado que isso não aconteça. O público da Luz costuma ter um carinho especial pelos miúdos da formação e nunca é tão duro nas críticas. O que se compreende, já que nos dias que correm é raro ver um jogador evoluir desde as camadas jovens até à equipa principal. Acaba um pouco por ser como dar mais atenção a uma espécie em vias de extinção.


P.S. Estou para aqui com esta conversa toda e vai jogar o Maxi na esquerda. Ou o Amorim.

Sim, ele está vivo


O Homem mais velho de Portugal completa hoje uns bonitos 126 anos. Espero que passe um dia feliz no seio da sua numerosa família.

Cabazada

87-30 (20-9; 19-8; 29-5; 19-8)

Já não via uma malha das antigas deste calibre há muito tempo. Com todo o respeito pelo Ginásio Figueirense, hoje os seus jogadores mais pareciam os do foculporto contra o APOEL.

Pequeno resumo aqui.

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