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Não ler se estiver sensível

sexta-feira, 12 de novembro de 2010


Queria fazer um post à séria, mas estou com trabalho que dá para três de mim, pelo que vai ser curto e directo ao assunto.

É sobre militância, capacidade de mobilização e atracção para os jogos em casa.

Média dos jogos em casa para a Liga: 5 jogos: 42.125; 64,8% Ocupação, mas já tivemos Braga e Zbording

Média dos jogos em casa para a Liga: 2 jogos: 36.200; 55,7% Ocupação, já tivemos o Lyon
Média dos jogos em casa para a Taça: 1 jogo: 23449; 36% Ocupação, com o Arouca

Se este é o clube com mais sócios do mundo, se se venderam 30.000 redpass este ano, deixem-me dizer que estas assistências são uma vergonha.

Não somos capazes, consecutivamente, de encher o nosso Estádio, que leva quase metade do que já levou em tempos.

A responsabilidade é tripartida: Equipa, Direcção e Adeptos, mas eu só queria mandar um recado aos adeptos, porque da incapacidade da equipa em atrair as massas ao Estádio este ano já se falou e da direcção responsável pelas vendas de bilhetes falarei noutro dia.

Para um clube que tem milhões de adeptos, 200.000 sócios é alarmante ver que dos 50.000/60.000 dos dias de festa passamos sistematicamente para os 35.000 da ordem (sim, somos sempre os mesmos...).

Esta incapacidade de, enquanto adeptos, não sermos insensíveis a resultados desportivos, de independentemente do ciclo desportivo da equipa garantir o apoio ao Domingo em casa, é um desafio fundamental que temos de ultrapassar.

Claro que o clube pode ajudar com incentivos à compra de bilhetes (e que actualmente nada faz), mas a barreira mental e atitudinal está também nos adeptos e essa tem de ser estilhaçada como o vidro do nosso autocarro cada vez que ruma ao Norte.

Ou querem ver afinal que a Mística do Benfica, que BG afirmou ser a "incomparável massa associativa que não desiste e acompanha a sua equipa", são só 35.000? Os 35.000 que vão estar mais uma vez no jogo com a Naval?

Roberto, a Mística e o Benfica

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A equipa constrói-se de trás para a frente. O guarda-redes é a primeira das vértebras da coluna da equipa e tal como a nossa primeira vértebra, a Atlas (que carrega o peso da nossa cabeça, impedindo-a de cair) também é fundamental que o nosso guarda-redes carregue com sucesso toda a nossa equipa. A sua função não é brilhar, é não deixar que a nossa equipa caia.

O ano passado não tínhamos um guarda-redes brilhante, mas tínhamos uma “Atlas” efectiva, um guarda-redes confiante, que raramente deixava a equipa cair. Era essa a nossa crença, era nisso que acreditávamos. Este ano Roberto não tem para já, condições para suportar uma equipa como o Benfica, pelo que deve ser encontrada outra solução de imediato, defende o universo benfiquista.

A questão chave aqui é perceber o que está por detrás de um desempenho tão fraco como o que temos visto, e durante as férias, enquanto lia o “Símbolo Perdido” do Dan Brown, ocorreu-me que poderá efectivamente ser isto. E digo-vos que alguma coisa mudou na minha forma de “ver” esta questão, que vos vou tentar descrever.

Reza a lenda, Roberto era bom guarda-redes até há 2 meses. Zelavam por ele para aí uns 100.000 adeptos do Zaragoza, que rezavam a ele todos os fins-de-semana pela salvação da manutenção. Não sei quantas mil almas, concentradas num indivíduo, num clube, com um objectivo positivo – defender as balizas do Zaragoza, salvando-o da descida.

Este fenómeno de concentração de pensamento grupal (técnica usada desde as civilizações mais antigas, que a noética tenta explicar através de métodos científicos que funciona) teve os seus frutos e Roberto foi “ajudado” pelos adeptos a ser maior, atingindo o objectivo.

Vai daí, disseram-lhe “agora vais para Lisboa, para garantir pontos. E by the way, eles pagaram 8,5 Milhões, uma pechincha por um salvador como tu”.Roberto não mudou, não ficou mau guarda-redes. A envolvência é que mudou drasticamente.

De um clube com umas dezenas de milhar de sócios, 28000 espectadores em média, passou para o SLB. Veio desconhecido, foi caro e não é empático (nem todos podem ter a cara do Nuno Gomes ou do Saviola).

Quando alguns meses antes uns 100.000 canalizaram pensamentos positivos para o homem, agora uns milhões de benfiquistas pensam “vai correr mal”. E corre mal porque mesmo os que não o assobiam, mesmo os que defendem que o homem precisa de tempo, etc. cada vez que surge um canto ou um livre para a área pensam que vai correr mal (isto é visível até nele, nos companheiros de equipa e exponenciado por milhões de anti-benfiquistas que vêem os nossos jogos e que querem que corra mal).

A mente humana é capaz de proezas extraordinárias, se estiver concentrada em questões positivas, e de grande destruição, se estiver a pensar no que de negativo pode acontecer.

Quando a crença se instalou o ano passado, quem nos conseguiu parar? Só nós próprios, pelo receio com que abordámos o jogo de Liverpool, juntando a descrença de ver David Luiz à esquerda! Até uma equipa fatigada depois de Marselha limpou o foculporto no Algarve, sem dúvidas.

Quem chegava ao Estádio da Luz, já sabia que ia correr mal e nós os vários milhões, com a equipa, fazíamos acontecer o expectável!

Bella Gutman tinha razão e só agora começo a perceber exactamente o que ele queria dizer. Nós somos a Mística. Somos nós que temos a capacidade de fazer o Benfica imparável. De através do nossa concentração de pensamentos positivos ajudar a marcar golos e a defender resultados.

E sim, acredito que fomos todos nós que fizemos aquela bola bater na trave e ir parar à cabeça do tripeiro emprestado, porque estávamos já enterrados em pensamentos negativos face ao nosso guarda-redes.

A prova de que nós somos muito responsáveis pelo que acontece no campo vamos vê-la mais uma vez no próximo fim-de-semana: Vamos ganhar, não porque o Júlio César é melhor do que o Roberto, mas sim porque os Benfiquistas vão estar a pensar que o Júlio César é melhor que o Roberto, os anti-benfiquistas vão estar menos focalizados em enviar pensamentos negativos, os colegas não vão estar a pensar que vai correr mal.

É que por isso vamos ganhar. Nós temos a capacidade de fazer o Benfica vencer, com qualquer guarda-redes na baliza. Se não estivéssemos estado a pensar que o Roberto iria ser um problema, que nos iria fazer sofrer golos, já teríamos 6 pontos, mais uma Super Taça e Roberto seria o nosso guarda-redes para 2010/2011.

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