segunda-feira, 23 de agosto de 2010
A equipa constrói-se de trás para a frente. O guarda-redes é a primeira das vértebras da coluna da equipa e tal como a nossa primeira vértebra, a Atlas (que carrega o peso da nossa cabeça, impedindo-a de cair) também é fundamental que o nosso guarda-redes carregue com sucesso toda a nossa equipa. A sua função não é brilhar, é não deixar que a nossa equipa caia.
O ano passado não tínhamos um guarda-redes brilhante, mas tínhamos uma “Atlas” efectiva, um guarda-redes confiante, que raramente deixava a equipa cair. Era essa a nossa crença, era nisso que acreditávamos. Este ano Roberto não tem para já, condições para suportar uma equipa como o Benfica, pelo que deve ser encontrada outra solução de imediato, defende o universo benfiquista.
A questão chave aqui é perceber o que está por detrás de um desempenho tão fraco como o que temos visto, e durante as férias, enquanto lia o “Símbolo Perdido” do Dan Brown, ocorreu-me que poderá efectivamente ser isto. E digo-vos que alguma coisa mudou na minha forma de “ver” esta questão, que vos vou tentar descrever.
Reza a lenda, Roberto era bom guarda-redes até há 2 meses. Zelavam por ele para aí uns 100.000 adeptos do Zaragoza, que rezavam a ele todos os fins-de-semana pela salvação da manutenção. Não sei quantas mil almas, concentradas num indivíduo, num clube, com um objectivo positivo – defender as balizas do Zaragoza, salvando-o da descida.
Este fenómeno de concentração de pensamento grupal (técnica usada desde as civilizações mais antigas, que a noética tenta explicar através de métodos científicos que funciona) teve os seus frutos e Roberto foi “ajudado” pelos adeptos a ser maior, atingindo o objectivo.
Vai daí, disseram-lhe “agora vais para Lisboa, para garantir pontos. E by the way, eles pagaram 8,5 Milhões, uma pechincha por um salvador como tu”.Roberto não mudou, não ficou mau guarda-redes. A envolvência é que mudou drasticamente.
De um clube com umas dezenas de milhar de sócios, 28000 espectadores em média, passou para o SLB. Veio desconhecido, foi caro e não é empático (nem todos podem ter a cara do Nuno Gomes ou do Saviola).
Quando alguns meses antes uns 100.000 canalizaram pensamentos positivos para o homem, agora uns milhões de benfiquistas pensam “vai correr mal”. E corre mal porque mesmo os que não o assobiam, mesmo os que defendem que o homem precisa de tempo, etc. cada vez que surge um canto ou um livre para a área pensam que vai correr mal (isto é visível até nele, nos companheiros de equipa e exponenciado por milhões de anti-benfiquistas que vêem os nossos jogos e que querem que corra mal).
A mente humana é capaz de proezas extraordinárias, se estiver concentrada em questões positivas, e de grande destruição, se estiver a pensar no que de negativo pode acontecer.
Quando a crença se instalou o ano passado, quem nos conseguiu parar? Só nós próprios, pelo receio com que abordámos o jogo de Liverpool, juntando a descrença de ver David Luiz à esquerda! Até uma equipa fatigada depois de Marselha limpou o foculporto no Algarve, sem dúvidas.
Quem chegava ao Estádio da Luz, já sabia que ia correr mal e nós os vários milhões, com a equipa, fazíamos acontecer o expectável!
Bella Gutman tinha razão e só agora começo a perceber exactamente o que ele queria dizer. Nós somos a Mística. Somos nós que temos a capacidade de fazer o Benfica imparável. De através do nossa concentração de pensamentos positivos ajudar a marcar golos e a defender resultados.
E sim, acredito que fomos todos nós que fizemos aquela bola bater na trave e ir parar à cabeça do tripeiro emprestado, porque estávamos já enterrados em pensamentos negativos face ao nosso guarda-redes.
A prova de que nós somos muito responsáveis pelo que acontece no campo vamos vê-la mais uma vez no próximo fim-de-semana: Vamos ganhar, não porque o Júlio César é melhor do que o Roberto, mas sim porque os Benfiquistas vão estar a pensar que o Júlio César é melhor que o Roberto, os anti-benfiquistas vão estar menos focalizados em enviar pensamentos negativos, os colegas não vão estar a pensar que vai correr mal.
É que por isso vamos ganhar. Nós temos a capacidade de fazer o Benfica vencer, com qualquer guarda-redes na baliza. Se não estivéssemos estado a pensar que o Roberto iria ser um problema, que nos iria fazer sofrer golos, já teríamos 6 pontos, mais uma Super Taça e Roberto seria o nosso guarda-redes para 2010/2011.



