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Entrevista do Céu Encarnado ao JdG

domingo, 3 de outubro de 2010

Para quem não teve oportunidade, tempo, disponibilidade ou interesse para ler a entrevista do nosso blog ao renovado Jornal da Gloriosasfera, fica aqui reproduzida.

Parabéns ao JdG pela nova face e renovada aposta, obrigado ao Manuel pela entrevista e pelo convite.

JdG - Como surgiu a ideia de criar o blog?


Luis Rosário - Como sabes eu sou a última aparição deste espaço. Coloquei o meu primeiro post a 13 de Maio, sou assim tipo um milagre de Fátima que cheguei para tentar destruir a boa reputação que até então o Céu, já criado há muito, tinha. As raízes já foram explicadas pelo Éter, numa anterior entrevista.

Agora se me perguntarem como surgiu a ideia de me juntar ao Céu… a história é outra. Eu tinha um blog, criado no auge da nossa campanha desportiva de sucesso no ano passado (aliás, essa deve ter sido a altura onde mais blogues do SLB foram criados… dava vontade de falar do clube, tudo nos corria bem…), chamado Irmandade SLB.

Ao fim de 45 posts e dois meses de actividade recebi uma proposta de um Jorge Mendes da blogosfera benfiquista, um dos 3 tipos (estou a contar contigo, Manuel) que tinha descoberto o endereço onde escrevia, para encerrar o tasco, antes de criar afinidade com ele, para me juntar a um dos blogues do top 10.

A negociação foi fácil e rápida, porque curiosamente estávamos alinhados em 90% das ideias, mas escrevemos de forma diferente, o que complementa e enriquece os conteúdos, e portanto comunicou-se à CMVM e lá apareci.

JdG - Como descreve o blog?

Luis Rosário - Blog moderado, forte defensor do Benfica, onde a crítica construtiva é condição fundamental para se escrever. É um espaço muito visitado, mas onde se discute pouco na caixa de comentários (penso que isto acontece sobretudo pela moderação e ponderação da maioria dos posts). De vez em quando, normalmente após aparição de Jorge SD Sousas ou Olarápios o verniz estala e aí o vernáculo, a linguagem corrente do futebol, como diz o Queirozsz, aparece por lá.

JdG - Mudou alguma coisa na sua vida depois da criação do blog?

Luis Rosário - Depois da adesão, certo? Eu tenho 2 empresas, sou casado com a sócia 150 mil e qualquer coisa e tenho ainda lá em casa o sócio 181 mil e qualquer coisa, com 3 anos. Já não tinha tempo e portanto continuo sem tempo.

Para escrever e partilhar ideias sobre aquilo que realmente me interessa sobre o Benfica tenho agora de o fazer mais tarde, para não prejudicar a família e o trabalho. Basicamente, escrever num blog do Benfica tirou-me horas de sono.

Passei também a estar obviamente mais envolvido com o universo benfiquista, o que me permitiu começar a perceber aspectos da vida do clube e de tudo o que o rodeia que anteriormente me passavam ao lado. Sabias que há um sistema instalado no futebol nacional que controla todos os agentes desportivos como se de marionetas se tratassem em função dos seus interesses? 

JdG - Qual o melhor momento que passou com o blog?

Luis Rosário - No Céu existem 4 coisas que me orgulho a sério e que para mim são grandes momentos: Termos conseguido através de 2/3 posts fazer 11 sócios novos esta época; Ter apresentado algumas das relíquias que tenho no espólio familiar aos visitantes; Ter lançado um passatempo fenomenal na altura do Mundial, que ofereceu uma camisola oficial ao MB do http://etodosporum.blogspot.com/, o grande vencedor; Ter a oportunidade de apresentar com assiduidade ideias para um SLB melhor e maior, que são validadas pelos nossos leitores.

JdG - E o pior?

Luis Rosário - Felizmente ainda não tive momentos maus no blog. Tenho a felicidade de ter águias no blog que escrevem com frequência, que continuam a imprimir uma forte dinâmica, pelo que não tenho a pressão de colocar posts. Isso faz com que seja mais exigente comigo e não escreva “para encher”, o que também não conseguiria porque não tenho tempo para isso.

JdG - E como Benfiquista, qual o melhor momento que passou?

Luis Rosário - São felizmente muitos. Este título foi significativo, pois tinha perdido o meu pai no início do ano e o clube era uma paixão que ele me transmitiu. Levei o meu filho pela primeira vez a um evento do SLB no pavilhão Atlântico, onde ele viu como nos tornámos campeões europeus. Adorava acompanhar a equipa de Hóquei às Final Four da Liga dos Campeões. Os manos Velásquez, Gaidão, Paulo Almeida, José Carlos… que equipa. Também tive a felicidade de jogar uns jogos pelo clube, na modalidade de Andebol e de vez em quando, durante um almoço, revisito o passado do glorioso com o Sr. Mário, o sócio 70 e poucos do SLB... Quantas páginas têm para esta entrevista…?

JdG - E o pior?

Luis Rosário - Cada vez que fui ver o SLB ao estrangeiro, perdemos. Glasgow, Manchester, Barcelona. Felizmente não acompanhei o meu irmão a Vigo… Este ano vou terminar com esta malapata nos oitavos da Champions. Os 10 anos negros também não foram fáceis…

JdG - Onde e como celebrou a conquista do 32° campeonato ganho pelo Benfica?

Luis Rosário – No meu T0 na bancada Meo, sector 23. Supermantorras da Tertúlia Benfiquista do lado direito, o meu irmão do lado esquerdo, o meu pai a assistir do Céu. Foi quase perfeito. Após o jogo festejei com a família, em casa. O Marquês mostrei-o ao meu filho pela TV.

JdG - Qual a sua opinião sobre o estado do futebol português, em particular, no que diz respeito ao Benfica?

Luis Rosário - Quantas páginas têm para esta entrevista…?

Vou tentar explicar com imagens. O futebol português é uma gigante areia movediça. Há uma plataforma ao lado da areia movediça, onde está um flatulento que tem acesso a cordas.

Tudo o resto está na areia a enterrar-se. Ele vai atirando as cordas para impedir alguns de ficar enterrados.

O Benfica está enterrado até à cabeça e não consegue sair, apesar de não precisar da corda. Aliás, o Benfica tem tudo ao seu alcance inclusive para transformar a areia movediça em terreno arável, mas o clube tem demasiada areia nos olhos e não consegue já ver bem.

É assim que eu vejo o futebol nacional. As respostas e as soluções para a morte do sistema estão dentro do Benfica e podem ser accionadas pelo clube, mas têm de sair do papel ou da cabeça de algumas pessoas. Estas acções têm de ver a Luz do dia.

JdG - Qual a sua opinião sobre a comunicação social desportiva nacional?

Luis Rosário – Isso é um mito que as pessoas criaram de que existe comunicação social desportiva nacional. As publicações actuais servem 2 propósitos: difundir ideias dos clubes a pedido e construir/destruir imaginários de acordo com os agentes desportivos que servem. Algumas tinham todavia palavras cruzadas, que era a única coisa que se aproveitava das 50 páginas diárias.

O jornalismo sério em Portugal não existe. A grande maioria dos portadores de cédula profissional é intelectualmente desonesta. Já ninguém vivo escreve artigos de fundo sobre o estado do futebol. Ninguém põe algo em causa porque tem medo das consequências ou está a ser manietado como um fantoche.

Só RAP aos Sábados, o Jornal do Benfica e alguns dos nossos blogs carregam a cruz de comunicar a verdade… Os pasquins são ranchos da pior qualidade deste nosso Portugal. Existem porque, como diria Valentim Loureiro nas escutas “É preciso ter algum folclore nesta merda”. Pode-se dizer merda nesta publicação?

JdG - Quais as suas previsões para a época 2010/11? (Liga, Taça da Liga, Taça de Portugal, Liga dos campeões)

Luis Rosário – A liga está entregue, a taça da liga vamos esquecer, pelo que as minhas fichas estão no Jamor e pelo menos nos Quartos de Final da Champions. Eu penso sinceramente que PdC definiu este ano que para calar quem não gostou da escolha do Vilas Boas vai ganhar o campeonato com pelo menos 28 victórias, e isso vai ser impossível de igualar só com comunicados.

JdG - Costuma acompanhar as camadas jovens e outras modalidades do Benfica?

Luis Rosário – Acompanho o Andebol, o Basket e o Futsal, mas pela TV. Deixei de acompanhar o Hóquei e não sou grande fã de Vólei, apesar de este ano termos uma equipa excelente. Daqui a uns anos volto aos pavilhões e aos jogos dos miúdos, mas actualmente ainda não posso fazer do Benfica a minha vida ao fim-de-semana…

JdG - O seu blog faz parte da Gloriosasfera. Costuma visitar? Qual a sua opinião?
Luis Rosário - Visito diariamente. É uma excelente e necessária ferramenta de aglutinação de informação sobre o clube. Está claramente a dar os passos certos e a crescer de forma adequada. O Jornal é claramente uma mais-valia onde mais do que aglutinar conteúdos já se está a criar, o que é sempre positivo.

JdG - Tem alguma sugestão a apresentar para a melhorar?

Luis Rosário - Tenho pois. Conteúdo é riqueza. Enquanto elemento agregador a Gloriosasfera facilita a pesquisa e acesso à oferta disponível, mas não utiliza a informação à disposição para criar. Quando a Gloriosasfera iniciar o processo de co-criação com os leitores e dai resultar mais-valias accionáveis para o clube terá sido dado um importante passo de crescimento.
Após esta fase, o desafio final será tornar a Gloriosasfera um instrumento relevante, com ideias accionáveis, considerado pelo clube para as acções tácticas e estratégicas que são necessárias tomar. Nesse momento, o clube volta a ter nos sócios uma fonte de inspiração e de condução dos seus desígnios, o que actualmente não acontece.
JdG - Que mensagem deseja endereçar aos Bloguers Benfiquistas?

Luis Rosário - Criem. Por sistema não repitam o que lêem. Aproveitem o que lêem para gerar ideias. As nossas cabeças pensam Benfica a 100% pelo que somos nós os mais aptos para produzir acções que façam do nosso clube um clube maior.

Concentrem pelo menos 90% dos vossos posts no Benfica, que é o que realmente nos interessa, elogiando e criticando construtivamente quando tal se justifique e mantenham sempre honestidade intelectual no que escrevem, que isso é uma das principais valências que nos diferencia dos nossos rivais.

Uma boa Entrevista e algumas Respostas de LFV

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Globalmente o presidente esteve bem, não vacilando em relação aos temas mais sensíveis (Roberto) e apontando o dedo às arbitragens como principal elemento responsável pelo arranque em falso no Campeonato.

Particularmente bem no desprezo por Pinto da Costa, no esclarecimento do processo do Eduardo, no motivo da reunião com JEB e na assumpção das responsabilidades pela negociação de Roberto.

Foi pena que se perdesse tempo com Queirozs e não se tivesse focalizado mais o assunto no Benfica (o que o Presidente referiu várias vezes), pois poderiam ter surgido mais esclarecimentos em algumas matérias.

Rodrigo Guedes de Carvalho estava mal preparado e podia ter feito muito melhor do que fez.

Das perguntas que deixámos, algumas tiveram resposta:

- Se pudesse voltar atrás apoiaria novamente Fernando Gomes para a presidência da Liga?


Não foi abordado.

- Por que motivo ninguém dentro do Benfica se pronuncia sobre as arbitragens? Está satisfeito com elas?

Lfv:

É fundamental termos arbitragens isentas, o que não aconteceu nas primeiras duas jornadas. Com critérios todos iguais, Benfica teria muito mais pontos. Perdemos o jogo da Académica por arbitragem, se quiser comparar é só ver.

- Quer explicar os contornos do negócio da aquisição de Roberto?

Lfv:

Não temos que colocar responsabilidades no Roberto – o nosso treinador escolheu-o, não vamos abdicar dele. Se é titular ou não, a JJ caberá decidir.

Nunca esteve equacionado Roberto sair do Benfica – Quem diz que ia sair não conhece o nosso treinador. Custou 8,5 M€ - Eu é que negociei, JJ é que o escolheu.

As nossas transferências é por Swift, transparência é chave para nós – Podem criticar se foi bem ou mal negociado, mas a responsabilidade é minha da decisão e foi isso que ele custou.

Apareceram por aí insinuações muito graves que são falsas.

Continuamos a pensar que contratámos um grande guarda-redes.

- Por que é que em tempos disse que quando Ramires saísse o substituto chegaria em dois dias e o que é certo é que não chegou nenhum jogador com essas características?

Não foi abordado, contudo referiu o que já se sabia: que Ramires era um caso diferente, resultante de uma parceria.

- A oferta do Real Madrid por Di María era a melhor?

Lfv:

Havia perspectiva do Di Maria sair efectivamente. Após a contratação do substituto identificado pelo JJ, Gaitán, pensou-se efectivamente na sua saída.

A decisão foi vender por 30M + 6 M de objectivos + Jogo com RM em nossa casa

- O Benfica está assim tão forte financeiramente ao ponto de poder contratar um jovem por 6 milhões de euros para emprestar a uma equipa inglesa de segundo plano?

Não foi abordado.

- Esses 6 milhões não fizeram falta para outras possíveis contratações, como, por exemplo, Wesley?

Não foi abordado.

- Quanto custou Alípio?

Não foi abordado.

- Por que não há uma aposta mais concreta nos jovens provenientes da formação? Nenhum jovem agradou ao treinador?

Não foi abordado.

- Concorda que Jorge Mendes está a ter cada vez mais importância na política de compras e vendas do Benfica? Porquê?

Não foi abordado.

- Houve alguma hipótese real de Simão regressar?

Lfv:

Notícia sensacionalista. O Simão conta muito para os benfiquistas. Não houve conversas nem com o Simão, nem dentro da nossa casa. Quando houver hipótese e se houver interesse e condições, falaremos com ele.

- É verdade que Moutinho foi oferecido ao Benfica? Se sim, não houve interesse do ponto de vista desportivo?

Não foi abordado.

- Por que motivo sentiu necessidade de dialogar com o Sporting sobre as modalidades?

Lfv:

Foi uma coisa normal e eu tenho uma boa relação com o JEB. Falámos de modalidades porque estamos preocupados com esta questão do ecletismo.

O problema que nos levou a falar está associado com os orçamentos que estão a disparar e temos de em conjunto encontrar soluções para termos equipas competitivas com orçamentos menos elevados

- Quais são realmente as funções de Rui Costa dentro da estrutura do futebol?

Não foi abordado.

- Está satisfeito com a Benfica Tv?

Não foi abordado.

- Se receber alguma oferta melhor do que a da Olivedesportos, muda de parceiro das transmissões televisivas, ou vai continuar a dar preferência a essa empresa?

Não foi abordado.

- Tem receio de que a Liga avance para as negociações de direitos televisivos em bloco?

Não foi abordado.

- Continua a ter o mesmo carinho para com Mantorras?

Lfv:

O Pedro é um exemplo de sofrimento dentro do Benfica e é um homem que teve infelicidade na sua vida e nós, Benfica, temos que zelar por ele.

6ª Feira vamos reunir, mas uma coisa posso garantir: O Pedro é um grande activo, vai ser tratado com muita dignidade, mas o seu futuro obviamente não será como jogador.

O Pedro transmitia alegria dentro dos estádios e transmite ainda alegria fora do estádio. Em principio, o Pedro acaba este ano a sua carreira no futebol.

Outros assuntos abordados:

Eduardo?

Lfv:

Antes do Mundial pensámos no Eduardo. Falámos com o António Salvador. Queríamos comprar um pacote. O outro jogador foi vendido (Minha interpretação: Teoricamente Evaldo) e portanto o negócio deixou de fazer sentido. Depois fizemos contactos e outras opções e veio o Roberto.

Carlos Queirozsz?

Lfv:

Os objectivos eram afastar CQ, o que já foi conseguido. Agora não se podem esconder depois. Foi programado e orquestrado por Laurentino Dias.

Em caso de eventual falhanço no apuramento para o 2012?

Lfv:

A responsabilidade tem de ser exigida ao Laurentino Dias, responsável pelo que aconteceu. Madail fez coisas boas e menos boas e está a ser actualmente julgado pelas coisas menos boas. Vamos ver o que acontece amanhã na reunião na FPF.

Luis Horta?

Lfv:

Nada se passou com o Nuno Assis, não houve doping ai, e fomos prejudicados por isso. Depois do caso houve uma perseguição nítida ao Benfica, e o Secretário de Estado apareceu sempre nesses casos.

Pinto da Costa?

Lfv:

Não vamos baixar o nível da conversa. Vamos falar do Benfica. Isso é para ignorar, ignoramos tudo o que dai vem.

Novos mercados?

Lfv:

A Rússia é uma novidade. Mais uma notícia falsa.

Plantel?

Lfv:

Temos plena confiança, mas não é só no plantel. O Benfica dá condições excelentes aos seus profissionais para atingir as vitórias que perseguimos com o objectivo de sermos mais fortes.

Nota final de LFV, já no final da Entrevista:

Todos nós que estamos no futebol, temos de garantir que a violência do ano passado não volta a acontecer e que é fundamental termos arbitragens isentas, o que não aconteceu nas primeiras duas jornadas.

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