Quem segue este blog sabe que aqui não há aquele género de posts tipo "eu sei de fonte segura e tal", "tenho um amigo que sabe e tal", "o meu canário viu e tal", etc. Apesar de ir sabendo ocasionalmente de algumas coisas, isso não faz o meu género e então quando o assunto envolve o Benfica nem sequer me passa pela cabeça pôr cá fora qualquer tipo de informação.
Porém, desta vez, e como não é nada relacionado com o Benfica, vou abrir uma excepção. Esta estória é demasiado deliciosa para não ser contada...
Ontem à noite estava tudo certo para haver novo treinador no Lumiar. Inclusive entre os clubes, daí o comunicado de hoje à CMVM. Faltava apenas limar alguns detalhes pontuais. Aliás, mas alguém no seu perfeito juízo acredita que se ia fazer um comunicado à CMVM sem existir acordo entre clubes? Eles são um bocado totós, é verdade, mas nem tanto...
Pois bem, a filial corrupta do Calhabé recebeu hoje instruções superiores e, à última hora, exigiu uma quantia absurda para libertar o moço. É simples, é triste, mas é a verdade.
Um abraço aos meus amigos de Coimbra. Vai ser difícil sair do pântano onde vocês próprios se enfiaram.
P.S. Não tem preço imaginar o melão que o Cotonete acabou de engolir.
Parece que finalmente Maradona abriu os olhos para Saviola e prometeu dar-lhe oportunidades nos próximos amigáveis. Se continuar a jogar assim, El Conejo estará decerto no Mundial, o que fará com que o Benfica tenha a séria possibilidade de colocar três jogadores na poderosa selecção argentina.
Pensar que há precisamente uma década atrás tínhamos, entre outros artistas, Machairidis, Chano e Uribe no plantel, e que hoje estamos assim... Meu Deus, tanto mal te fizeram, meu Benfica. Quase dá vontade de chorar.
Esta Taça da Liga é realmente a competição mais ridícula de que há memória, e não é o facto de o Benfica a ter vencido no ano passado que me faz mudar de opinião.
No Grupo A, do qual faziam parte Académica, Beira-Mar e Portimonense, registaram-se três empates a zero (viva o futebol espectáculo), o que fez com que se determinasse o vencedor do grupo recorrendo à média de idades.
Procedeu-se então ao cálculo da média e o Portimonense foi o feliz contemplado com a passagem à fase seguinte de tão emocionante prova. Não porque jogou melhor do que os outros, mas sim porque foi inteligente na interpretação dos regulamentos, fazendo entrar um jovem guarda-redes de 19 anos para o lugar do habitual titular de 35 anos aos 91 minutos de jogo. É de salientar que se o referido jovem não tem estado em campo durante dois preciosos minutos, o Portimonense não teria a média de idades mais alta e seria a Académica a seguir em frente. Claro que agora, bem à portuguesa, a Académica também reclama ter a média de idades mais baixa. Vamos ver no que isto vai dar...
Lembram-se de como era emocionante ver o nosso Mantorras a aquecer? Virávamo-nos uns para os outros, eufóricos: "Vai entrar o Mantorras! Já ganhámos!" E ele lá entrava aos 80' e dava-nos a vitória poucos minutos depois com os seus golos milagrosos. Era porreiro, não era?
Pois bem, esqueçam esse tipo de emoções. No futebol moderno, a coisa já não é assim. Imaginem um miúdo de 17 ou 18 anos a preparar-se para entrar, sob o olhar atento dos adeptos: - "Vai entrar o Abílio! Faz aí as contas no telemóvel, rápido!" - "Baixámos de 25,759 para 25,032! A outra equipa tem 25,469 e já não tem substituições! Ganhámos! Ganhámos!" - "Toma! O treinador deles é mesmo nabo, ficar sem substituições com uma média dessas quando sabia perfeitamente que tínhamos o Abílio no banco!" - "Eh, eh! A substituir desta maneira ninguém nos segura este ano!"
Poderá não ser tão interessante, admito. Mas é mais simples e ninguém se aleija.
Nunca esquecerei o minuto de silêncio em memória do nosso Fehér, no jogo contra a Académica. Foi provavelmente a experiência mais imponente por que já passei. Muito mais do que o festejo de qualquer golo ou mesmo título, ver aquele Estádio cheio e mergulhado num silêncio sepulcral é algo de tal forma transcendente que só quem esteve presente sabe o que significa.
Felizmente que nesse jogo ninguém teve a ideia absolutamente pateta de começar a bater a palmas. Se tivermos em conta que a palavra "silêncio" significa "ausência de ruído", torna-se claro que uma salva de palmas, por melhor intenção que tenha, é algo de despropositado. Não sei onde nem como começou essa moda, mas já era tempo de acabar com ela. Nunca vi baterem palmas em funerais...
Volto a sublinhar que só quem esteve naquele Benfica vs Académica é que sabe a força que um minuto de absoluto silêncio tem, e o profundo respeito que impõe. E é disso mesmo que se vai tratar no próximo jogo na Luz: mostrar o nosso respeito pelo Robert Enke. Só no final desse minuto as palmas serão bem-vindas.
Gostaria que quem fosse ao próximo jogo passasse esta ideia e, se possível, enviasse um mail para o Sport Lisboa e Benfica, como eu e tantos outros benfiquistas já fizemos.
"Gostaria de pedir, a quem de direito, que no próximo jogo no Estádio da Luz, contra o Vitória de Guimarães, o speaker informasse os espectadores presentes que o minuto de silêncio em memória de Robert Enke fosse mesmo para cumprir em silêncio, e não com palmas, à semelhança do que aconteceu com Miklos Fehér.
David Luiz, Di Maria e Cardozo. Estes três jogadores renovaram recentemente os seus contratos e com isso o Benfica aumentou as suas cláusulas de rescisão. Curiosamente, o jogador que está nas bocas do Mundo, que é titular da sua selecção e que tem o financeiramente poderoso futebol inglês de olho nele, foi o que ficou com a cláusula de rescisão mais baixa. Até uma criança de oito anos consegue perceber que isto não faz qualquer sentido.
Por outro lado, as crianças de oito anos não conhecem os dotes de Jorge Mendes.
Numa pequena homenagem ao Robert, este post será o único de hoje.
Antes de mais, é muito triste constatar que dois do três melhores guarda-redes que vi jogar pelo Benfica já não estão vivos. Resta apenas Preud'homme, e espero que por muitos e bons anos.
Enke chegou ao Benfica a poucos dias de fazer 22 anos, pela mão de Jupp Heynckes, e eu pensei imediatamente que o treinador alemão se estava a preparar para fazer o mesmo que o seu antecessor, Souness: encher o plantel de compatriotas de qualidade duvidosa. Como me enganei!
Enke vinha para ser o terceiro guarda-redes do plantel, tendo Bossio e Nuno Santos à sua frente. Face à fraca qualidade dos outros dois e a uma lesão de Bossio, Enke foi chamado à baliza, mostrou qualidade, ganhou o carinho dos adeptos, e não mais saiu de lá.
Em três anos de águia ao peito, tendo o Benfica equipas a roçar o ridículo, Enke sempre foi um dos poucos jogadores com qualidade e classe suficientes para representarem o clube, como aliás Mourinho reconhece no seu livro. Por isso, compreendo perfeitamente que quando a hipótese Barcelona surgiu, Enke quisesse tentar a sua sorte e saísse. Infelizmente não foi uma escolha acertada, como o próprio reconheceu mais tarde. Enke ainda era muito novo e o Barcelona sempre foi uma máquina de trucidar guarda-redes. A partir daí a sua carreira foi sempre a descer, tendo sido emprestado ao Fenerbahce e Tenerife, e começaram as depressões. Enke regressou à Alemanha em 2004, recuperou a alegria de jogar, tornou-se rapidamente num ídolo do Hannover e preparava-se agora para ser o dono da baliza da sua Mannschaft na África do Sul.
Quando no princípio desta época se falou que o Benfica procurava um guarda-redes, pensei automaticamente nele. Acabava o contrato em Junho de 2010, sempre disse que gostava muito de regressar à Luz e julgo que até tinha uma casa na zona de Sintra. Infelizmente o meu desejo não se concretizou e agora Enke não vai regressar mais.
Nos seus tempos no Benfica, mais do que grandes defesas, recordo a sua imagem de marca: antes do início de cada jogo, brindava o público atrás da sua baliza com três palmas junto a cada poste. Nunca nos mandou calar, nunca se riu quando sofreu um golo. Dava tudo em campo. No seu último jogo de águia ao peito, os NN exibiram uma faixa com a frase: “Serás sempre o nosso número 1″.
Para mim também.
Quanto mais ouço e leio notícias sobre a forma como morreu, mais revoltado e triste me sinto. A ideia dele a caminhar sobre os carris, rumo ao fim, enche-me de lágrimas.
Sempre cedi de bom grado 0,00001% do meu sofrimento a ver jogos de futebol à selecção. Os restantes 99,99999% eram obviamente para o Benfica. E apesar de 0,00001% poder parecer insignificante, o que é facto é que, sempre que Portugal jogava, havia algo cá dentro que me dizia que estava a trair o Benfica.
Pois bem, isso agora acabou. Consigo ver um jogo da turminha do Queiro(ó)s(z) da mesma forma que vejo jogos do campeonato inglês: tenho uma equipa preferida, sim senhor, mas se ela não ganhar não me aborreço rigorosamente nada. Não há palavrões, saltos do sofá, objectos arremessados, mãos na cabeça, dores de estômago, suores frios, murros na parede ou comandos partidos. Há apenas uma calma absoluta. E se tiver outra coisa minimamente interessante para fazer, o jogo é descartado sem pensar duas vezes.
Portanto, e do fundo do coração: obrigado, professor!
A todos os idiotas que querem fazer passar a ideia de que não há falta sobre Di Maria no lance que origina o golo do Benfica, e que começam a explanar a sua opinião da seguinte forma:
"De facto, o jogador da Naval entra em contacto com a perna de Di Maria e não chega a tocar na bola, mas..."
"Mas"?!?! Mas o quê?
Mas custa muito estar a 5 ou a 11 pontos. Só pode ser isso...
Apesar de ter a sensação que me estava a preparar para ver mais uma sequela do filme de horror "Guarda-redes adversário faz a exibição da vida dele no Estádio da Luz", acreditei até ao fim que o Benfica ia marcar. Nem que fosse nos descontos. E senti que os jogadores também acreditaram nisso, acreditaram que tamanho esforço e empenho não podia deixar de ser recompensado com a vitória e os consequentes três pontos. Assim foi.
Quim: entreteu-se a ver o colega Peiser brilhar.
Maxi: muito activo no primeiro tempo, mas depois foi perdendo fulgor e intervenção no jogo. Bem substituído.
Fábio Coentrão: sempre muito esforçado e raçudo, teve a clarividência de escapar ao amarelo que o deixaria de fora em Alvalade.
Luisão: meteu Kerrouche no bolso sem dificuldade nenhuma.
David Luiz: grande exibição! Excelentes dobras às subidas de Coentrão e muitas investidas que desequilibraram o meio-campo adversário. Impecável na defesa.
Javi García: destruiu as poucas tentativas que a Naval esboçou para trocar a bola, roubando-a quase sempre. Na primeira parte, uma cabeçada e um livre com selo de golo foram-lhe negados por Peiser. Acabou por ser o herói do jogo, com outra cabeçada fulgurante, e bem o mereceu pela exibição fantástica que fez. Se Peiser não tivesse feito o jogo da vida dele, Javi podia perfeitamente ter feito um hat-trick.
Ruben Amorim: ao contrário do jogo de Liverpool, hoje não fez esquecer Ramires. Apesar do voluntarismo, da entrega e de algumas boas combinações com Maxi, falta-lhe aparecer na área para finalizar como o brasileiro tão bem sabe fazer. Acabou a defesa direito.
Di Maria: voltou a partir a loiça. Na primeira parte destacam-se um livre e um remate descaído na esquerda para duas excelentes defesas de Peiser. Na segunda parte teve um remate espectacular que Peiser defende para a barra e marcou o livre que deu o golo. Mas apesar de tudo isto, hoje irritei-me algumas vezes com as suas tentativas de furar no meio de três ou quatro adversários. Di Maria é um excelente jogador, com atributos técnicos extraordinários, mas tem que perceber que jogadas desse género têm poucas hipóteses de sucesso. Partir para cima do adversário em um contra um ou mesmo um contra dois ainda vá, agora contra mais é pura parvoíce!
Aimar: teve sempre um ou dois polícias em cima, o que o obrigou a recuar muito para vir buscar jogo. As suas habituais tabelinhas com Saviola não surtiram o efeito habitual, tal era o aglomerado de adversários estacionados em frente à área. Saiu aos 85 minutos, completamente esgotado.
Saviola: pareceu sentir a falta de Cardozo, seu habitual companheiro de ataque. O entendimento com Nuno Gomes nunca foi o melhor, o que facilitou as marcações dos defesas contrários. Na primeira parte esteve muito perto de marcar, mas a bola foi ao poste.
Nuno Gomes: exibição cinzenta. Falhanço verdadeiramente inacreditável na cara do guarda-redes. Jesus fez muito bem em tirá-lo.
Weldon: procurou utilizar a sua velocidade para ajudar a rasgar a defesa da Naval.
Keirrison: não dá para devolver? Veio com defeito...
Felipe Menezes: mais frescura para os minutos finais, dado o estoiro físico de Aimar.