Nota introdutória: ia escrever uma resposta na caixa de comentários dum post ali para trás mas, como é Domingo e há pouco para fazer, entusiasmei-me e ficou um bocado longo. Além disso, assim fica como uma espécie de manifesto para perceberem como as coisas vão funcionar daqui para a frente para alguns.
Considero absolutamente inacreditável como é que se tem coragem de exigir responsabilidade a um gajo que escreve numa merdice de um blog que é lido regularmente aí por umas 100 pessoas e não se faz o mesmo em relação a um dirigente do Benfica que fala para e representa milhares e milhares de pessoas. Há aqui um contra-senso atroz.
Portanto, o correcto é: quem é dirigente do Benfica pode dizer qualquer coisa que lhe apeteça, inclusive quando é mentira ou atira areia para os olhos dos sócios, apenas e só porque é dirigente do Benfica. Vou frisar este conceito, que me parece pertinente: um dirigente do Benfica pode dizer o que quiser porque é dirigente do Benfica e não tem que se responsabilizar por tal. Mas atenção que quando deixar de o ser, perde a capa protectora e já pode ser insultado e enxovalhado e tudo o que disser e fizer será alvo de áspera e certeira crítica (vide Gaspar Ramos).
Já o desgraçado do Zé Merdas (e neste simpático nome englobo alguns bloggers) do blog "X" (novamente, englobo aqui alguns blogs) não pode abrir a boquinha e apontar aquilo que considera errado porque não tem autoridade para tal e tem que ser um benfiquista íntegro, ponderado, reflexivo e responsável. No fundo, o pobre Zé Merdas tem que ser um modelo social para a meia dúzia de gatos-pingados que o lêem, ao passo que ao dirigente do Benfica tudo é permitido.
Sem dar conta de tal, Zé Merdas é então um líder de massas e todos o seguem cegamente. Zé Merdas é do povo e fala para o povo, portanto Zé Merdas é um indivíduo perigoso. Zé Merdas poder-se-á tornar num Jacques Bonhomme do século XXI no Benfica. E nós não queremos isso. O único Jacques que conhecemos do Benfica é o Jean e assim nos queremos manter. Quanto ao Bonhomme, não sabemos quem é e com essa fonética a puxar para o fanchono já temos o nosso saudoso Saint Michel.
Não sei se o raciocínio será este, mas a idiotice deve andar perto.
Adiante, antes que me volte a perder em divagações parvas... A malta que vem para aqui sempre com a mesma cassete eclesiástica do “não podes dizer ai”, “nhenhenhe não sei quê”, “não podes falar ui”, “és uma má ovelh…, perdão, um mau benfiquista”, “tem vergonha”, “e porque nhenhenhe” “vai levar no cu”, “filho da puta” e outros “nhenhenhes” deste género, vai passar a ter o mesmo tratamento que dou aos Jeovás que me vêm foder o juízo ao Sábado à tarde, enquanto vegeto no sofá a consumir três jogos seguidos da Liga Inglesa (com o pc ligado à televisão, que eu recuso-me a pagar SportTv. E aqui já sou um grande benfiquista, não é, caralho? Sou mesmo um grande benfiquista neste aspecto! O Luís Nazaré tem SportTv mas como é dirigente do Benfica já pode. Mas quando deixar de ser dirigente vai passar a ser um grande cabrão por ter SportTv! Não pense que escapa!): não vou abrir a porta, não vou dialogar, não quero saber se o Abraão foi ao cu a uma galinha e isso deu origem aos Jeovás, não quero ouvir pela enésima vez o salmo “antes do Vieira só tínhamos as pedras da calçada”, não me interessa folhear a revista Despertar ou Despertai ou lá como aquela merda que as velhas trazem na mão se chama, nem tenho pachorra para gente que acha muito bem que o Luís Nazaré se congratule publicamente por o clube não ter passivo bancário quando ele sabe perfeitamente que a SAD tem mais de 100 milhões (fora juros) para pagar à banca.
Tenho sido um gajo tolerante, tenho tentado discutir as coisas apesar dos insultos. Lamento, mas a minha paciência esgotou-se. Chego à conclusão de que não vale a pena perder o meu tempo com essa gente, até porque, apesar de não ser nenhum perito em Língua Portuguesa, esforço-me por escrever correctamente e não vos passa pela cabeça a quantidade de vezes que tenho que ler “tu” e “cu” escritos com acento agudo, isto para ficar pelo básico dos básicos, porque se vou entrar na pontuação, no uso do hífen e na conjugação verbal tenho assunto para uma tese de mestrado sobre analfabetismo. Usar palavrões não implica necessariamente ser-se brejeiro, desde que tal seja feito com o mínimo de arte. Querem insultar, dominem primeiro a língua na qual o vão fazer.
Resumindo: estão interessados em discutir civilizadamente, muito bem. Vêm armados em espertos com a propaganda demagoga e a insultar todos os que não concordam com vocês, sem as mínimas noções dos assuntos em questão (contabilidade/finanças é o caso mais gritante, a malta esperneia imenso com as críticas mas não sabe olhar para um mapa de fluxos de caixa e perceber o que se passa, não consegue compreender o significado de, no espaço de seis anos, passarmos de um Capital Social de 75 milhões de euros e capitais próprios de cerca de 19 milhões para um Capital Social de 115 milhões e capitais próprios de cerca de 7,5 milhões, não consegue perceber que o Stars Fund surgiu devido a uma preocupante falta de liquidez, isto para citar alguns exemplos), já sabem qual é o destino do comentário. Nem lhe passo a vista em cima.
Metam na cabeça que, se calhar, as pessoas podem saber, nem que seja um bocadinho, do que estão a falar e têm o direito de estar genuinamente preocupadas com a situação financeira do Benfica sem isso querer dizer que são todos uns grandes filhos da puta, que não são benfiquistas ou que querem um tacho dentro do clube. Alarguem os vossos horizontes, aprendam a conviver em sociedade, não sejam acéfalos.
Para concluir, tomo a liberdade (tipo Ambrósio com a “senhora”) de deixar um conselho à malta a quem este post se dirige: não devem dar-me a importância que obviamente não tenho nem devem ser tão lestos a esmiuçar qualquer palavrinha que me sai dos dedos. Para bem do Benfica, peço simplesmente que procedam dessa forma em relação a quem dirige o nosso clube.
Ah, e só outra coisinha… Desamparem-me a loja, se faz favor… Há muitos blogs benfiquistas por aí, a oferta é tanta e tão variada, por que insistem em marrar com este? Eu não ganho nada com isto, não tenho publicidade no blog, não vendo nada a partir do blog, estou-me a marimbar para o número de visitas, não me interessa minimamente pertencer a um ranking de blogs mais lidos nem ando aí pela blogosfera a espalhar links para os meus posts como se não houvesse amanhã. No fundo, estou aqui sossegado no meu canto. Se não gostam, não abram o blog. Eu próprio faço isso com blogs que não me transmitem nada. É tão simples, pá… “Vou espreitar o blog daquele grande cabrão do Éter. Mas eu não gosto de nada do que o gajo escreve, caralho. O gajo só escreve merda, só diz mal… O filho da puta nem deve ser benfiquista! Foda-se, não vou clicar ali! Sou um homem ou sou um rato, caralho? Nunca mais entro ali!” É isto, ok? Vá, pratiquem lá essa merda e vão ver que nunca mais põem aqui as patas.
Agora para a malta que sofre de um distúrbio assaz desagradável, que basicamente consiste em, de forma obsessiva, ler e ouvir pessoas que já sabem que os vão deixar furiosos... Isso é uma espécie de masoquismo, ok? Gostam de sentir dor? Só ficam com tusa quando estão enraivecidos? Não precisam de voltar aqui. Façam o seguinte: peguem numa bateria, liguem-lhe uns cabos e prendam as outras extremidades aos tomates. Vi esta merda num filme, parece que aleija.